E se eu te contar que, hoje, custou-me levantar da cama e encarar o mundo lá fora, que esse mundo, a primeiro momento, resumia-se apenas ao meu quarto, mas mesmo assim eu não queria enfrentá-lo, eu queria apenas por esse dia ficar inerte na cama a vagar com os meus pensamentos.
O mundo lá fora não me atraía em nada, o sol que já brilhava alto, todo convidativo, não me despertava o desejo de senti-lo, tão pouco me motivava para que eu largasse a ociosidade que dominava por completo o meu corpo.
Em mim, reinavam em absoluto a preguiça e o forte desejo de continuar nessa inércia toda.
No entanto, a vida e as obrigações diárias forçavam-me a tomar uma atitude desfavorável ao que o meu corpo sentia naquele exato momento.
Não era tristeza, tão pouco descaso com a vida, apenas o que me dominava era uma porção de preguiça misturada a uma nostalgia que, até certo ponto, é gostoso de se sentir, uma vez ou outra, porém, a vida é tão dinâmica que não nos permite sentir algo assim todos os dias.
Sucumbir era o forte desejo que povoava a minha mente naquele momento, no entanto, a vida insistia em me atrair para a realidade, com telefonemas que exigiam a minha atenção, outros a serem feitos, respostas a serem dadas pessoas a minha espera.
E eu queria ficar simplesmente a deriva, apenas por hoje, quieta em meu canto, com a vida acontecendo lá fora e eu no meu mundo interior, apenas por hoje.
Leia Viana – março/2010.












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